Marcio Lacerda Belo Horizonte: 
História

Da infância no interior a prefeito da capital

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Marcio Araújo de Lacerda, 62 anos, administrador de empresas, casado, três filhos, nasceu a 22 de janeiro de 1946, em Leopoldina, na Zona da Mata mineira, e passou a infância e parte da adolescência na cidade de Inhapim, no Vale do Rio Doce.

Mãe professora e pai topógrafo, aos 17 anos mudou-se para Belo Horizonte e ingressou na Escola Técnica Federal de Minas Gerais, de onde saiu para o primeiro emprego, na Companhia Telefônica de Minas Gerais (CTMG), em 1965. Dois anos depois, iniciou o curso de Administração na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A partir de 1969, em conseqüência de sua militância no Partido Comunista Brasileiro e posterior adesão à Aliança Libertadora Nacional (ALN), sofreu uma prisão de quatro anos, que lhe custou o emprego e a interrupção do curso universitário, só retomado em 1973 e concluído em 1977.

Em liberdade condicional e impedido de retornar à CTMG, trabalhou dois anos e meio na empresa de engenharia e telecomunicações Tele-América antes de fundar, em 1975, sua própria empresa, a Construtel, especializada na construção de redes de telefonia. Quatro anos depois, criou uma segunda empresa, a Batik, para a produção de equipamentos de telefonia. O sucesso das empresas, a partir de meados da década de 80 e até o final dos anos 90, levou-o a comandar negócios em 16 Estados brasileiros e no Chile e Bolívia.

Paralelamente, participou da direção de entidades empresariais como a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), o Centro das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Cici) e presidiu a Associação Brasileira de Empresas Construtoras de Redes Telefônicas (Abecortel), por dois mandatos.

A partir de 2001, já vendida a Batik e com a Construtel em fase de retração de suas atividades, passou a colaborar com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) nas áreas de Tecnologia e Desenvolvimento Regional, tendo presidido os conselhos de Desenvolvimento Tecnológico (2001-2003) e de Desenvolvimento Regional (2006-2007) da entidade e atuado como gestor do Instituto Euvaldo Lodi.

Também representou a Fiemg no Comitê Temático de Tecnologia e Inovação do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; no Comitê Gestor da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, no Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais e no Conselho Curador da Fapemig.
     
Em 2003 assumiu a função de secretário-executivo (o mesmo que vice-ministro) do Ministério da Integração Nacional, na gestão do ministro Ciro Gomes, no primeiro mandato do Governo Lula. Nessa condição, coordenou ações interministeriais para o atendimento emergencial às vítimas das enchentes de 2004 no Nordeste, e a recuperação da infra-estrutura das regiões atingidas; teve importante papel na constituição de uma base de inteligência e de prevenção em defesa civil e na ampliação do número de coordenadorias municipais de Defesa Civil pelo País. 

Coordenou o Plano de Revitalização de Perímetros de Irrigação Públicos em todo o País, o que resultou em cerca de R$ 50 milhões de investimentos em irrigação em Minas Gerais. Participou da criação da Câmara Interministerial de Desenvolvimento Regional e da implementação dos Planos Estratégicos de Desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste, do Centro-Oeste, do Semi-Árido e de Mesorregiões prioritárias, incluindo as regiões mineiras do Vale do Jequitinhonha e Mucuri. Também, como secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, foi responsável por garantir os recursos federais para as obras de duplicação da avenida Antonio Carlos,  em Belo Horizonte.
 
Também representou o ministério em diversos conselhos e comitês que desenvolveram importantes projetos, entre os quais o de Acompanhamento do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, a Comissão Técnica das Parcerias Público-Privadas, a Câmara de Políticas de Infra-Estrutura, o Projeto Brasil-Venezuela e a Câmara de Políticas de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional. Em quatro oportunidades assumiu interinamente o cargo de Ministro e durante três meses foi presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
 
A partir de abril de 2007 e até maio de 2008, a convite do governador Aécio Neves, assumiu a gestão da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. No curto período, conduziu negociações que resultaram na atração de investimentos da ordem de R$ 50 bilhões para Minas Gerais. Exerceu ainda a presidência do Conselho de Industrialização do Estado e dos Conselhos de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) e do Conselho Estadual de Geologia e Mineração (Cegem). Foi vice-presidente do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG)  e membro atuante do Conselho Deliberativo de Desenvolvimento Metropolitano e do Conselho de Administração da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).

Ainda como secretário do Governo Aécio, levou até a ministra Dilma Roussef proposta de criação de uma Parceria Público-Privada para viabilizar a expansão do metrô de Belo Horizonte, ampliando sua capacidade de 150 mil para 800 mil passageiros/dia, com previsão de um trecho ligando a avenida Antonio Carlos, na Lagoinha, com a Savassi, e de um ramal da Estação Vilarinho até o novo Centro Administrativo do Estado, no Serra Verde.

Em junho deixou o cargo para candidatar-se a prefeito de Belo Horizonte pelo PSB. Sua candidatura contou com o apoio formal de 12 partidos e mais outros dois informalmente. Venceu o primeiro turno com 549.131 votos. No dia 26 de outubro, Marcio foi eleito prefeito da capital mineira conquistando a confiança de 767.332 eleitores, quase 60% dos votos válidos - 236.772 votos a mais do que o seu adversário.

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