08/03/2010
Por Junia Oliveira
Uma fila enorme de pedestres e cerca de 40 minutos de carro para vencer uma distância de apenas 300 metros até a portaria já eram um indicativo forte do movimento fora do comum na Fundação Zoo-Botânica (FZB), no Bairro Santa Terezinha, na Pampulha, em Belo Horizonte. Na manhã de ontem, o trânsito na Avenida Otacílio Negrão de Lima, na entrada do zoológico, parou. O público da FZB, de acordo com a administração do parque, aumentou em pelo menos 50% e recebeu 5 mil visitantes a mais. E tanta procura teve um motivo bem especial.
Esse foi o primeiro fim de semana de funcionamento do Aquário da Bacia do Rio São Francisco, o maior equipamento temático do país. Somente pelo novo espaço, passaram 10 mil pessoas nos dois primeiros dias de abertura. E, como disse o presidente da fundação, Evandro Xavier: "BH descobriu o peixe".
Alguns animais, como os hipopótamos, estranharam tantos holofotes e preferiram fazer charme com o público e se esconder também do calor, em lugares mais frescos. Isso deixou muita gente triste, como a menina Letícia Resende, de 10 anos, moradora de São João del-Rei, no Campo das Vertentes, cuja família visitava a fundação pela primeira vez: "Estou decepcionada. Consegui ver poucos bichos, pois a maioria está dormindo". A mãe dela, a bancária Rosilaine Oliveira Resende, de 34, ficou feliz quando o seu animal favorito desfilou pelo recinto. "A vinda já está valendo a pena só pelo elefante. Para mim, ele é o principal", brincou.
O dentista Marcos de Almeida Veloso, de 47, se divertiu com o filho, Thiago, de 6. "Não vínhamos ao zoológico havia muito tempo e escolhemos justamente hoje, que está cheio. Mas, como meu filho é apaixonado por bichos, tenho de trazê-lo", disse. O garoto confirmou: "Está muito gostoso aqui. Gosto mesmo de animais e mais ainda da girafa. Quando crescer quero ser veterinário, fazendeiro ou dono de zoológico".
Na entrada do aquário, mais filas. Era tanta gente querendo ver as belezas do velho Chico que até o presidente da FZB, Evandro Xavier, foi parar na bilheteria. Ele era só sorrisos por causa do sucesso da nova atração. As riquezas encontradas ao longo dos 2,7 quilômetros de extensão do Rio São Francisco estão retratadas num cenário que abriga cerca de 1,2 mil peixes de 40 espécies, distribuídos em 22 tanques. Os novos moradores da Fundação Zoo-Botânica completam o ciclo de animais do zoológico, que agora tem todas as classes – anfíbios, répteis, mamíferos, aves e peixes.
Algumas pessoas reclamaram do preço do ingresso. Além do valor da entrada à fundação, é preciso pagar R$ 5 por pessoa para visitar o aquário. O policial Marcelo Souza, de 38, que gastou R$ 35 para visitar o zoológico com a família, preferiu não conhecer o novo espaço. "É um local para o povo ir. É um absurdo essa cobrança", disse. Evandro Xavier rebateu: "Em todos os parques temáticos paga-se para entrar e mais uma taxa para cada um dos equipamentos. Essa é uma atração diferenciada. É um local popular e continuará sendo. Eu asseguro que não há lugar mais barato com essa qualidade de lazer em Belo Horizonte".
SERVIÇO
A Fundação Zoo-Botânica está aberta ao público de terça a domingo, das 8h30 às 16h. A entrada é gratuita às terças-feiras (exceto feriado) e nos primeiros sábados do mês. Nos outros dias, os ingressos custam:
Pedestres
Quarta a sábado: R$ 2
Domingo: R$ 4
Automóveis com até nove passageiros
Terça-feira: R$ 5
Quarta a sábado: R$ 5 (mais R$ 2 por pessoa)
Domingo: R$ 7 (mais R$ 4 por pessoa)
Moto
Terça-feira: R$ 2
Quarta a sábado: R$ 2 (mais R$ 2 por pessoa)
Domingo: R$ 4 (mais R$ 4 por pessoa)
Veículos médios e micro-ônibus
Terça-feira: R$ 7
Quarta a sábado: R$ 19
Domingo: R$ 34
Ônibus de escolas públicas e de entidades de assistência social ou filantrópica: gratuito
Ônibus de escolas particulares
Terça-feira: R$ 12
Quarta a sábado: R$ 22
Domingo: R$ 37
Ônibus de turismo
Terça-feira: R$ 12
Quarta a sábado: R$ 37
Domingo: R$ 67